600 mil euros em bitcoins desaparecidos à guarda da PJ: mais um capítulo do costume

Há perguntas que o poder prefere que ninguém faça. Uma delas é esta: onde estão os cerca de 600 mil euros em bitcoins que ficaram à guarda da Polícia Judiciária, apreendidos numa investigação criminal, durante o período em que Luís Neves dirigia a instituição? É essa a questão que o canal Desgoverno coloca no vídeo desta semana, e que devia estar a incomodar muito mais gente do que aparenta.

Num país onde a Autoridade Tributária persegue os cidadãos por tostões — como este canal já mostrou noutras ocasiões, cobrando coimas em duplicado sem pestanejar — devia ser inaceitável que centenas de milhares de euros em criptoativos apreendidos ao abrigo da lei simplesmente desapareçam do radar sem explicação pública. Se um português comum perdesse o rasto de bens à sua guarda nestas circunstâncias, o desfecho seria conhecido: processo, banco dos réus, manchetes. Quando o assunto envolve os bastidores do aparelho de Estado, instala-se o silêncio e ninguém é chamado a prestar contas.

Este é o padrão que se repete há anos em Portugal: opacidade institucional tolerada por sucessivos governos do Partido Socialista, que preferiram sempre gerir a máquina do Estado sem grande escrutínio, em vez de abrir os cofres à fiscalização independente que qualquer democracia séria exige. Não é preciso acreditar em teorias mirabolantes para estranhar que um valor desta dimensão, apreendido em nome da justiça, não tenha um destino claro e público. Basta pedir aquilo que devia ser óbvio: transparência.

A direita tem repetido, com razão, que o problema português não é falta de leis, é falta de vontade política para as aplicar a quem manda. Enquanto se multiplicam auditorias e inquéritos aos pequenos contribuintes, ninguém parece ter pressa em esclarecer o que aconteceu a bitcoins avaliados em centenas de milhares de euros que estiveram nas mãos do Estado. É este duplo padrão — rigor implacável com o cidadão comum, tolerância confortável com quem está lá dentro — que continua a alimentar a desconfiança dos portugueses nas instituições.

Fica o repto: que a Assembleia da República, ou quem de direito, exija explicações concretas, com datas e valores, sobre o destino destes fundos. Os portugueses pagam impostos, obedecem à lei e esperam o mesmo rigor de quem os deveria servir. Vale a pena ver o vídeo completo e tirar as próprias conclusões.

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=Xt72s-J2_hg

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Youtube Desgoverno