Mais um relato vindo de Sesimbra, desta vez pela voz de Cristina, numa publicação recente do canal Desgoverno: imigrantes em situação irregular “em fuga” na zona, e a constatação amarga de que já se adivinha o desfecho — é a Esquerda que trata de “acolher esse pessoal”, sem perguntar a quem já lá vive se concorda.
O padrão repete-se com uma regularidade quase cómica, não fosse trágico: primeiro chega gente sem que ninguém saiba quantos são, de onde vêm nem com que meios de subsistência contam; depois, em vez de se explicar às populações o que está a acontecer e quem decidiu, aparece sempre alguém pronto a garantir “casa” e “asilo”, como se o problema fosse logístico e não de falta de critério. Quem paga a fatura — em segurança, em serviços públicos sobrecarregados, em bairros que mudam sem aviso — nunca é consultado.
É este o fosso que a direita portuguesa há muito tenta apontar: entre quem decide políticas de fronteiras abertas a partir de um gabinete e quem vive todos os dias com as consequências dessas decisões. Chamar-lhe “humanismo” não torna a política mais séria — torna-a apenas mais difícil de criticar sem se ser rotulado de insensível. E, no entanto, é precisamente essa falta de critério e de planeamento que empurra territórios como Sesimbra para tensões que podiam ser evitadas com regras claras e capacidade de resposta real.
Vale a pena ouvir o testemunho de Cristina, que traduz bem a frustração de quem vê o discurso oficial desligado da realidade no terreno:
Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=uDZi6-ydr_M
Enquanto se preferir gerir a imigração a golpe de comunicados bem-intencionados em vez de política séria com regras, Sesimbra vai continuar a ser o retrato de um país que decide por decreto e explica depois — se é que explica.