Combustíveis: o “esforço” do Governo que ninguém sente no bolso

Num novo vídeo do canal Desgoverno, a pergunta é directa e incómoda: Luís Montenegro “está a fazer um esforço enorme” nos combustíveis — mas quem é que sente esse esforço no momento de encher o depósito? A ironia do título resume bem o que muitos automobilistas portugueses sentem sempre que param numa bomba de gasolina: promessas de alívio fiscal que nunca chegam a ser sentidas no preço final.

É um exercício repetido, governo após governo: anuncia-se “acompanhamento atento”, “medidas em análise” ou “esforço” junto da União Europeia e das petrolíferas, enquanto o Estado continua a arrecadar, através do ISP e do IVA, uma fatia enorme do preço de cada litro. Quando o crude desce, a descida raramente chega à bomba na mesma velocidade; quando sobe, essa sim, chega sempre a tempo. No fim, quem trabalha, quem precisa do carro para ir para o emprego ou para levar os filhos à escola, é quem paga a conta de um Estado que gasta mais do que devia e que continua a tratar os combustíveis como uma das suas principais fontes de receita.

Este é precisamente o tipo de situação que expõe a distância entre o discurso de contenção fiscal que se promete em campanha e a prática de um Estado pesado, que continua a sugar rendimento das famílias através de impostos indirectos difíceis de contestar. Reduzir a carga fiscal sobre os combustíveis de forma séria e duradoura — e não apenas com descontos pontuais e mediáticos — seria uma medida concreta a favor de quem trabalha e produz, em vez de mais um “esforço” que ninguém vê reflectido na carteira.

Vale a pena ver o vídeo completo, que resume com ironia certeira este contraste entre discurso e realidade:

Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=7aFaQOlcwfQ

Enquanto o “esforço” for apenas retórica e o imposto continuar a ser a verdadeira constante, os portugueses vão continuar a sentir o mesmo de sempre: menos dinheiro no bolso e as mesmas desculpas no discurso.

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