Camilo Lourenço tem razão: quem defendia mais impostos agora queixa-se de menos portagens

Camilo Lourenço voltou a apontar o dedo ao Chega, desta vez pela polémica em torno da retirada das portagens em algumas autoestradas do país. E o comentário, ainda que possa incomodar alguns, toca num ponto que vale a pena discutir com seriedade: a forma leviana como se fala de alívio fiscal em Portugal, seja de que lado for.

É fácil prometer o fim de uma taxa. Difícil é explicar, com números na mesa, como se compensa a receita perdida sem sacrificar a manutenção das estradas ou empurrar a fatura para outro lado do Orçamento. O comentador critica precisamente essa tentação de anunciar boas notícias fiscais sem fazer as contas até ao fim – um vício, de resto, transversal a praticamente todos os partidos portugueses, não exclusivo de nenhum.

Onde a crítica ganha força é no contraste: um país que continua com uma das cargas fiscais mais pesadas da Europa não pode dar-se ao luxo de gerir a política de transportes ao sabor de anúncios populistas, seja para agradar ao eleitorado das portagens grátis, seja para justificar mais um imposto dito temporário que nunca mais desaparece. O que os portugueses precisam não é de gestos simbólicos, mas de um Estado mais magro, mais eficiente e verdadeiramente comprometido em devolver dinheiro a quem trabalha – de forma sustentável, não por oportunismo eleitoral.

No fundo, a discussão às portagens é só mais um sintoma de um mal maior: a falta de rigor com que se discute política fiscal em Portugal, seja quem promete tirar, seja quem depois tem de explicar porque é preciso pôr de volta.

Vídeo original: https://www.youtube.com/watch?v=nOiSEJFTCqY

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