Enquanto o país trabalha, a classe política vai ao futebol: o retrato de sempre

Há imagens que resumem, sem precisar de grandes discursos, a distância entre quem governa e quem paga a fatura. É o caso do episódio em que Patrícia Carvalho critica Luís Montenegro por, enquanto os portugueses continuam a trabalhar para pagar as suas contas, encontrar tempo (e lugar de destaque) para ir ver futebol.

Não é a primeira vez que este tipo de contraste choca. E, convenhamos, também não vai ser a última. Há uma classe política, seja qual for a cor partidária, que parece viver num ritmo paralelo ao do cidadão comum: reuniões, jantares, bancadas de estádio, sempre com direito a lugar reservado, enquanto lá fora o trabalhador médio conta os cêntimos até ao fim do mês.

O problema não é, evidentemente, um primeiro-ministro ir a um jogo de futebol — todos têm direito a lazer. O problema é a simbologia: numa altura em que se pede sacrifício aos portugueses, em que os impostos continuam a pesar e os serviços públicos continuam com falhas graves, a exposição pública deste tipo de momentos gera, com razão, indignação. Quem trabalha todos os dias para chegar ao fim do mês não tem paciência para ver quem devia estar a resolver problemas a fazer vida de convidado de luxo.

Este tipo de crítica, vinda de vozes como a de Patrícia Carvalho, tem o mérito de dizer alto aquilo que muita gente pensa em silêncio: a classe política precisa de descer do palco e voltar a perceber o que é viver com salário mínimo, renda em atraso ou fatura da luz para pagar. Enquanto isso não acontecer, estas imagens vão continuar a aparecer — e a doer.

Vídeo original: https://www.youtube.com/watch?v=EeKnUph9wSA

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