Não vamos mexer nas nossas gorduras: a frase de Montenegro resume a resistência do Estado a cortar onde devia. Um artigo sobre despesa pública e reformas adiadas.
Não mexer nas nossas gorduras
Um novo vídeo do canal Desgoverno destaca uma frase de Luís Montenegro que diz muito. “Este é o rumo que os portugueses merecem, não vamos mexer nas nossas gorduras.” A ironia é que, enquanto o discurso público pede sacrifícios e responsabilidade aos cidadãos, o Estado continua a proteger a sua própria estrutura, cargos e despesas supérfluas.
É este o contraste que mais irrita quem paga impostos todos os meses. Pede-se contenção às famílias e moderação salarial aos trabalhadores. Pede-se paciência a quem espera há mais de um ano por uma consulta. Mas quando se trata de reduzir o peso do Estado, há sempre razões para adiar. “Gorduras” que qualquer gestor privado teria cortado há muito continuam intactas na máquina pública, protegidas por interesses instalados e falta de vontade política.
A direita defende há anos que a reforma do Estado não pode ser feita só à custa dos cidadãos. Tem de começar pela máquina administrativa. Pelos organismos redundantes e pelos gastos que não se justificam. Enquanto essa coragem não aparecer, frases como esta vão continuar a soar mais a confissão do que a promessa.
Vale a pena ver o vídeo completo, que analisa esta declaração com mais detalhe:
Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=kjNDv1FjSbI
Quem não corta nas suas próprias gorduras não tem autoridade moral para pedir sacrifícios aos outros.
Cortar nas gorduras do Estado é possível. Falta vontade política.