Sensações de insegurança: é a expressão que alguns responsáveis políticos repetem sempre que os portugueses se queixam de que as ruas estão menos seguras. O vídeo de hoje do canal Desgoverno volta ao tema e critica uma esquerda que continua a desvalorizar a criminalidade. Mas o que dizem, afinal, os números oficiais?
O que diz o RASI 2025
O Relatório Anual de Segurança Interna de 2025, apresentado em março de 2026, traz um retrato com duas faces. A criminalidade geral participada subiu 3,1%. Já a criminalidade violenta e grave desceu 1,6%, sendo o roubo responsável por mais de 60% destes crimes. É com este segundo número que o Governo e boa parte dos comentadores gostam de abrir as notícias.
Há, no entanto, dados que merecem mais atenção. As violações atingiram o valor mais alto da última década. Os crimes de resistência e coação sobre funcionários, incluindo agentes da autoridade, aumentaram. E os processos por auxílio à imigração ilegal dispararam cerca de 225%. Distritos como Coimbra, Leiria e Bragança registaram subidas da criminalidade geral próximas ou acima dos 10%.
Porque é que as sensações de insegurança não são só perceção
A perceção de insegurança não nasce do nada. Nasce de um furto no carro, de um assalto na rua do lado, de um vídeo partilhado no grupo do bairro. Quando a criminalidade geral sobe, é precisamente este tipo de crime do dia a dia que aumenta, e é esse que as pessoas sentem. Dizer a quem foi assaltado que as estatísticas de crime violento desceram é, no mínimo, pouco sensível.
Há também uma questão de confiança. Muitas vítimas de pequenos crimes já nem apresentam queixa, por acharem que não vale a pena. Os números oficiais medem apenas o que é participado. Se a confiança nas autoridades baixa, parte da realidade fica simplesmente fora das estatísticas.
O que devia mudar já
Há medidas concretas que não dependem de grandes reformas e que teriam efeito rápido na segurança dos portugueses:
- Policiamento de proximidade nas zonas onde a criminalidade geral mais subiu, com agentes a pé e visíveis, e não apenas carros de passagem.
- Valorização das carreiras da PSP e da GNR, para travar a saída de agentes e atrair jovens para as forças de segurança.
- Justiça rápida para crimes de pequena e média gravidade, com processos sumários que evitem a sensação de impunidade.
- Proteção reforçada para quem é agredido em serviço, sejam polícias, médicos, enfermeiros ou professores.
- Controlo efetivo das redes de imigração ilegal, cujos processos subiram mais de 200% num só ano.
Nenhuma destas medidas é de esquerda ou de direita. São de bom senso. O que falta é vontade política para as pôr em prática e deixar de tratar a segurança como um problema de comunicação.
A nossa opinião
Não defendemos o alarmismo. Portugal continua a ser um país seguro quando comparado com muitos países europeus, e isso é mérito, em grande parte, das nossas forças de segurança. Mas é exatamente por isso que não podemos permitir que a tendência piore. Os sinais estão lá: mais crime participado, mais agressões a quem nos protege, mais crimes sexuais graves.
O que se exige é simples. Mais polícias nas ruas, com salários e condições dignas. Justiça mais rápida, para que quem é detido não saia pela porta das traseiras no dia seguinte. E um discurso político que respeite quem vive o problema, em vez de o reduzir a uma sensação. Negar a realidade nunca a resolveu.
Veja o vídeo completo
Vejam o vídeo completo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=ukPZCiYW43k
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