Herman José tem razão: uma comunicação social financiada pelo Estado dificilmente será totalmente independente. Um artigo sobre dinheiro público e liberdade de imprensa.
Herman José tem razão sobre o financiamento
Num novo vídeo destacado pelo canal Desgoverno, Herman José levanta uma questão incómoda, mas pertinente: pode a comunicação social que recebe dinheiros públicos ser verdadeiramente independente e honesta na forma como noticia quem lhos concede? A resposta implícita no vídeo é céptica – e com boas razões para o ser.
O problema não é exclusivo de Portugal, mas aqui é particularmente sensível. Parte significativa da comunicação social depende de publicidade institucional, subsídios ou outros apoios públicos. Esta dependência cria incentivos para tratar com mais condescendência o poder do momento, seja ele qual for. É um problema estrutural. Compromete o papel de escrutínio independente da imprensa, essencial em qualquer democracia.
A direita tem defendido, com razão, maior transparência sobre o financiamento público à comunicação social e regras mais claras que evitem conflitos de interesse entre quem financia e quem é financiado. Um jornalismo livre não devia depender da boa vontade de quem está no poder para sobreviver. Enquanto essa dependência existir, é legítimo questionar, como faz Herman José. A informação que chega aos portugueses está mesmo isenta de influências?
Vale a pena ver o vídeo completo com esta reflexão:
Link direto: https://www.youtube.com/watch?v=vvzUUXLRFW0
Uma imprensa livre começa por ser financeiramente livre de quem devia fiscalizar.
Quem paga a informação?
O financiamento público da comunicação social é um tema delicado em qualquer democracia. Por um lado, há quem defenda que o apoio do Estado garante pluralismo e sobrevivência a órgãos em dificuldade. Por outro, é inevitável perguntar se quem depende do dinheiro do Governo terá a mesma liberdade para o criticar. Herman José toca exatamente nesse ponto. A independência editorial constrói-se, antes de mais, com independência financeira. Os leitores e espectadores portugueses merecem uma imprensa que viva da sua confiança e não de subsídios que podem ser usados, direta ou indiretamente, como instrumento de pressão.